O DOM DE LÍNGUAS
Introdução
O
primeiro enfoque do Pr. Evans, com base na passagem bíblica de I Co. 12-14 é
que precisamos primeiramente correr atrás do “amor” e não deste ou daquele dom
espiritual e que não há na Bíblia nenhum mandamento para procura um determinado
dom, exceto o amor e nem mandamento dizendo para exibir suas habilidades ou
dons, mas há diversas ordens para amar seu próximo. O apostolo Paulo diz:
“Procurai, com zelo, os melhores dons” (I Co. 12:31) e depois diz: “Procurai, com
zelo, os dons espirituais” (I Co.14.1) e a partir desse verso começa a discussão
de um dom que estava literalmente dividindo a igreja: o dom de línguas, o
qual
estava provocando caos no corpo. O Pr. Evans complementa que o capitulo 14 não
foi escrito para ampliar o uso desse dom, mas para restringi-lo, porque havia exibição
do dom e não com expressão de amor. “Ele não está afirmando que todos devem
falar em línguas, mas, sim, dizendo à igreja de corinto: Vocês tem um numero
excessivo de pessoas falando em línguas. – Isso é justamente o oposto da ênfase
dada às línguas hoje, com evidenciada pela pergunta: ‘Você já recebeu o dom?
.(EVANS, p.318).
1.
O FENÔMENO GLOSSOLÁLICO
Questão de definição. Na concepção do Pr. Evans a palavra grega ‘glossa’
significa ‘linguagem’ , isto é linguagem humana tal como o inglês, Frances,
(português) e pergunta se Paulo tinha em mente algum tipo de linguagem
celestial? Por isso não devemos nos surpreender que nos dias de Pentecostes,
cada um dos judeus reunidos em Jerusalém
tivesse ouvido a mensagem de Deus “na sua própria língua” (At.2:6), isto é, no
seu próprio dialeto. Esta afirmação pode, inclusive, ser confirmada pelo
Dr. Champlim: “A palavra traduzida aqui por “...língua...”
pode significar idioma ou dialeto, e é fora de duvida que houve ambas as
coisas, posto que tanto os frígios como os panfílios, por exemplo, falavam o
grego, ainda que em dialetos diferentes; e os partos, medos e elamitas falavam
todo a língua persa, ainda
que com variações provinciais.
(CHAMPLIN.Vol.3.1986.p.48).
2.
LÍNGUAS PARA EDIFICAÇÃO PESSOAS
Questão de propósito. Com base em 1 Co. 14:21-226 e 1 Co.
14:2,4,57 o Dr. Evans entende que o dom de línguas inicialmente teve o
propósito de evangelismo à povos estrangeiros, um sinal para os incrédulos e no
Corpo de Cristo, a Igreja, a edificação. Na Igreja, quando ocorrer precisa que
alguém com “dom de interpretação de línguas” faça a tradução “para que a
igreja receba edificação”: A palavra edificar significa construir e podemos
concluir que qualquer coisa que não construa a igreja é ilegítima. O dom de
línguas é dado pelo Espírito Santo para edificar o corpo reunido dos
cristãos.(...) O dom de línguas não foi dado apenas para seu benefício
espiritual.(...) ...todos os dons do Espírito são para beneficio de outros e
não para fazer que a pessoa que possui o dom se sinta especialmente mais
espiritual. (EVANS. p. 326,327).0
O Dr. Evans é categórico em afirmar ”o dom de línguas tem que ter
um fim proveitoso e cujo principio é o amor; assim como os instrumentos musicais,
tocados sem nenhuma harmonia, só provoca barulho e de nada se aproveita” (v.7)
e portanto, visam seus próprios interesses.(1 Co 13:5). Isto não quer dizer que
as línguas foram proibidas pelo Apóstolo, mas ele orientou qual é o seu
propósito e no que os crentes da Igreja de Corinto deveriam se concentra, isto
é, no “dom do amor”. Na Igreja; “se não houver interprete o individuo deve fica
em silêncio” (v.28). Evans garante que o
dom de língua como instrumento particular na oração nada tem a ver com Romanos
8:26 que diz que “o mesmo
Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis”.
3.
LÍNGUAS COM INTERPRETAÇÃO PROFÉTICA
No dia de Pentecostes a igreja recebeu a promessa; a presença do
Espírito Santo e com ele os dons espirituais com o objetivo de edificar a
Igreja: “A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso”.
(1Co. 12:7 RA).
“Visto que a “edificação” é a razão
mesma pela qual os dons espirituais existem na igreja; as línguas devem ser
limitadas a fim de atender a essa exigência; e só poderão fazê-lo quando
acompanhadas de interpretação. (CHAMPLIN. Vol.04. p.227, 228)
O dom de línguas veio a fim de edificar o crente individualmente
e aos demais quanto interpretado e serve como sinal aos incrédulos ou
descrentes (vs.22). Paulo não nega o dom, pois ele mesmo afirma falar mais em
língua do que todos. Porém, faz uma resalva, prefere o dom de profetizar ao de
línguas. O dom de profetizar é um sinal para os crentes e tem a ver com o
anunciar a mensagem tanto a um indivíduo
quanto à Igreja e neste caso edifica tanto crente como descrente. “A profecia é
o indicio da aprovação e da benção de Deus sobre a congregação porque mostra que
Deus está ativamente presente na igreja reunida” (GRUDEN. p. 191).
A profecia é uma indicação da presença de Deus na congregação,
visando abençoá-la (1 co.12:22). Portanto, (v.23), se alguém de fora chegar e
todos estiverem profetizando (v.24), vocês estarão falando sobre os segredos do
coração de quem é de fora, que pensava que ninguém sabia daquilo. Ele irá perceber
que as profecias são o resultado de obra de Deus e cairá de rosto em terra,
declarando “verdadeiramente Deus está entre vocês” (v.25). dessa maneira, a
profecia será um sinal seguro a vocês de que Deus realmente está operando”(GRUDEN,
p.192,193).
Com verificamos o dom de línguas carece de um segundo dom para que
ele se torne válido e edifique a Igreja, caso contrário somente o individuo
será edificado. Os doutores apresentados concordam com o Apostolo Paulo que o
dom de Profecia é muito mais favorável à edificação da Igreja do que o dom de
línguas.
Champlin enumera seis benefícios do dom de profecia que o faz
destacar sobre o dom de línguas. 1) É útil para edificação; 2) É útil para a
exortação; 3) é útil para consolo. 4) é útil para convicção de pecados; 5) a
profecia tem o efeito de perscrutar, de examinar, de chamar à prestação de
contas, e por ultimo: 6) o dom de profecia
é útil pelo que vem a seguir no próximo versículo: “ ...os segredos do seu coração
se tornam manifestos...” (v.25) (CHAMPLIN. Vol.04. p. 225).
Comentário
do autor:
Aquilo
que começa errado tem consequências desastrosas. E se transformam num modelo
difícil de mudar. Por exemplo, se o Corpo de Cristo fosse desde o cedo ensinado
corretamente, não teríamos tantas indisciplina doutrinárias. No ensino correto
das Escrituras o Espírito Santo encontraria terreno fértil para promover o Dom
de forma verdadeira. As pessoas seriam edificadas pela interpretação e pelo dom
de profecia. Ouviríamos do Espírito o que precisariam para a direção da Igreja
e quiçá melhores resultados quanto ao progresso do Evangelho. Os autores
disseram que há poucos com dom de interpretar, mas será que a Igreja neste
tempo pós- moderno deseja saber o que o Espírito quer falar? (ver Ap.2:7,11,
17, 29, 3:6, 13, 222). Que paradoxo! O dom de interpretação de línguas é
maravilhoso. Pois ele transmite o recado na semelhança dos profetas do Primeiro
Testamento. Revela a vontade do Espírito àquela Igreja ou àquele individuo. Se
for uma direção para aquela Igreja, se for uma resposta de oração àquele grupo,
se for uma exortação àquele rebanho, se uma promessa ou uma mensagem de amor,
seja o que for, o interprete transmitirá sem medo e com ousadia, pois o é o
mesmo Espírito que usa no dom de línguas como o que, usa no dom de interpretar.
4.
LÍNGUAS COMO IDIOMA TERRENO
O
Pr. Evans é categórico ao analisar I Co. 13.1 o quê Paulo quis dizer com falar
“línguas dos anjos”? Para isso faz duas observações: a primeira é que sempre que
anjos falavam com alguém na Bíblia era no idioma do ouvinte e que “não há qualquer
referencia bíblica a um dialeto angélico celestial”. E a segunda observação é que “para identificar uma linguagem
angélica teríamos de ter ouvido anjos falarem”. A terceira é que Paulo está
usando uma hipérbole3, isto é exagero no falar. Assim como faz para falar da fé
que “remove montanhas”(v.2b). O emprego da hipérbole (línguas dos homens ou dos
anjos) é para confirmar sua opinião de que exercer dons sem amor é um perda de
tempo e que de forma nenhuma esta passagem contradiz sua “definição da palavra
língua1 como uma linguagem humana anteriormente desconhecida do orador” (EVANS.
p 321).
Orar em línguas e o orar do Espírito.
O
espirito do homem não é o mesmo de Romanos 8:26-27:
“Da mesma forma o Espírito nos
ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos
como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos
inexprimíveis. E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque
o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus”(NVI).
Na
carta do Apóstolo Paulo aos Romanos não faz mensão á orar em línguas, mas da
intercessão do Espírito (note que está com inicial maiúscula) por aquele que
ora a Deus. No texto da primeira carta aos Coríntios tem pelo menos duas
observações a fazer: “Pois, se oro em uma língua, meu espírito ora, mas a minha
mente fica infrutífera” (vs.14 ). “Meu espírito ora (...) a mente fica
infrutífera”. Em primeira de Coríntios é o espírito (do homem) quem ora; podendo
ser uma oração em línguas ou quando se ora em línguas, enquanto que em Romanos
é a intercessão do Espírito quem intercede e geme. Muito comum no meio
evangélico é o misturar trechos de um texto com outro sem fazer a devida distinção.
Desta forma na oração tanto em línguas
como normal há o trabalhar do Espirito. A diferença é que na oração em língua
que se edifica é você. Na oração normal as pessoas ao redor também são
edificadas.
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