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A ESCRAVIDÃO NA BÍBLIA.

Este texto e parte integrante  de um artigo maior postado neste blog: A TEOLOGIA PRESENTE NOS DISCURSOS DA IGREJA CATÓLICA       NO FIN...

01/03/2019

O LIBERALISMO TEOLÓGICO: HISTÓRIA E CARACTERÍSTICAS.


O LIBERALISMO
Prof. José Maria V. Rodrigues.
Resultado de imagem para TEOLOGIA LIBERALliberalismo religioso surgiu das “forças destrutivas do racionalismo e do evolucionismo que levaram a uma ‘ruptura com a Bíblia’”. Com isto, a Igreja sofreu as consequências do pensamento liberal que atingiu não somente a área da teologia, mas a politica. A separação entre Estado e Igreja, o surgimento da Republica, a Democracia são algumas das consequências do pensamento liberal.  O liberalismo, uma força que emerge após 1865 a 1929 deu lugar ao neo-ortodoxia e seus sucessores mais radicais.  Os movimentos seguintes faz surgir o movimento ecumênico, onde agencias denominacionais se unem às grandes denominações; fusões orgânicas de denominações e confederações de Igrejas, “os grupos evangélicos que concordam em aspectos teológicos gerais, mas divergem em outros menos importantes estão rapidamente substituindo as Igrejas liberais dos ramos tradicionais” (Cairns, 25).
O liberalismo moderno com sua ênfase no racionalismo e sua metodologia devem muito ao deísmo. O deísmo, entre outras ações, também ajudam a criar o sistema moderno da Alta Critica textual da Bíblia. 
Cairns (p. 425) afirma que “Durante todo o período de formação do protestantismo latino, os missionários introduziram uma teologia conservadora baseada nas escrituras como norma de fé”.  “o liberalismo começou a influenciar (ou a se infiltrar) simultaneamente com algumas denominações na década de 1920”.  O restante mantivera-se solidamente evangélicas.  Nas palavras de Emile Leonard, as Igrejas latino-americanas são verdadeiramente reformadas. “A Palavra é o centro do culto e da vida, a razão de ser da Igreja”.
O movimento liberal teve inicio na Inglaterra em 1830, informa Cairns (p.433), e continuou a fazer adeptos até o fim do século. “os latitudenaristas (como eram chamados) apropriaram-se do idealismo kantiano que Samuel Taylor Colardge, poeta e pregador introduziram na Inglaterra em Oxford”. Eles criam numa consciência intuitiva de Deus e na imanência de Cristo no homem considerado Filho de DEUS. A Queda do homem e a Redenção foram ou ignoradas ou minimizadas.
As duas facções de movimentos liberais que promoveram tanto o liberalismo teológico quanto o evangelho social foram:
1-      O movimento dirigido por Frederick D. Maurice (1805-1872) e Carles Kingley (1819-1875), este sacerdote e escritor, que funda um grupo socialista cristão. O grupo esperava o estabelecimento do reino de Deus na terra por uma legislação social que desse aos homens uma democracia tanto econômica e social como politica
2-      O outro grupo tinha “ideias semelhantes” à do bispo John W. Colenso (1814-1883) de Natal na África que foi levado a questionar a autoria mosaica do Pentateuco. Quando não pode responder satisfatoriamente às perguntas de um nativo em 1862. Thomas Arnold (1795-1842) famoso diretor de Rogby, uma escola para meninos e Henry Milman (1791-1868), pároco da Igreja de São Paulo integraram o grupo de Colenso. O grupo aderiu as teorias  dos críticos alemães.
A Critica Bíblica, a Teoria Darwiniana da Evolução e outros forças sociais  e intelectuais criaram o Liberalismo religioso no fim do século XIX. Os teólogos liberais tem aplicado a Evolução à religião como chave que poderia explicar o seu desenvolvimento; estes teólogos insistem na ideia de que a experiência religiosa humana é simples produto de uma evolução religiosa e não uma Revelação de Deus através da Bíblia e de Cristo.
O cristianismo conservador tem se levantado contra essas ideias liberais e o nome ligado a esse movimento e o de Karl Barth (1886-1968)  que tem se oposto a varias formas do liberalismo e socialismo.  Cairns afirma que Immanuel Kant (1724-1804) com suas ideias ajudaram na formação de uma estrutura filosófica para a Critica Bíblica e a moderna Teologia Liberal (Cairns, 446).  Outro que influenciou para a Teologia Liberal  criar forma foi Friedrich Sheleiermacker (1768-1834) que fez dos sentimentos e emoções como elementos a partir do qual a experiência religiosa desenvolve. Para ele o homem está livre da dependência de uma revelação histórica da vontade de Deu, precisando apenas cultivar o sentimento de dependência de Deus em Cristo para ter uma experiência religiosa adequada.

O liberalismo teológico nos Estados Unidos.
Cairns (p. 466) escreve que o aparecimento da Evolução Darwiniana e o surgimento da Critica Bíblica através dos alunos que estudavam na Alemanha e na Escócia com professores como Samuel R. Driver e a importação do idealismo germânico levaram as Igrejas norte-americanas ao liberalismo do séc. XIX.
A Teologia Liberal ressaltava a mensagem ética de um Cristo humanizado e a imanência de Deus no coração do homem, desse modo a experiência, e não a Bíblia era normativa.  O Método Cientifico e a Lei Natural explicavam  os milagres; não aceitavam o método sobrenatural, o pecado original e o sacrifício vicário.
As obras de Horace Buschnell (1802-1876), pastor congregacional da Igreja do Norte em Harford exerceu forte impacto do liberalismo na educação cristã das Igrejas. Ele defendia a ideia de que as crianças só precisavam crescer dentro da geração num ambiente religioso. Sustentando uma teologia equivocada sobre o pecado original e a teoria da influencia moral da Expiação. Bushnell não entendia que a experiência da conversão e do amadurecimento na graça, como ensinado pelas Igrejas evangélicas, fosse necessária.
Cairns afirma (p.467, 468) afirma que por influencia de John W. Vincent (1832-1920) criaram-se lições padronizadas para Escola Dominical em 1872. Em 1874 ele e Lewis Miller deram inicio ao movimento Chautuqua para treinar professores para Escola Dominical. O sistema de graduar as lições surgiu do desenvolvimento progressivo da criança na verdade cristãs claramente derivadas dos ensinos de Buschnell.  Em 1903 se formou o Conselho Internacional da Educação Cristã, mas infelizmente, esse movimento consagrado às ideias da educação cristã semelhantemente às ideias de Buschnell, caiu sobre controle Liberal.
Em 1893 um professor da Union Seminary (Seminário Union) foi expulso do ministério por defender questionar a inerência da Bíblia e por defender pontos da Alta Critica.  A.A. Hodge (1823-1886) e Benjamim B. Warfild (1851-1921) teólogos de Princeton defenderam a inerência da Bíblia a partir dos originais.
Afirma Cairns (p.468) que houve um esforço e cooperação demasiado durante o sec. XIX e começo de sec. XX entre as Igrejas norte-americasnas.  Seminários, associações, movimentos estudantil com a finalidade de recrutar, educar, preparar missionários interessados na evangelização e nos problemas sociais e na aplicação dos princípios éticos do cristianismo. P0orem, novamente a liderança caiu nas mãos de liderança liberal. 
Cairns (p.485) informa que por volta de 1914 todo o consenso teológico vigente desde a Reforma estava despedaçado devido ao surgimento do liberalismo que surge desde 1865. Já na segunda década de 1920 a Teologia Liberal dominava as faculdades, os seminários e os púlpitos das Igrejas históricas. Os nomes mais conhecidos foram John Greghan Machen com seu livro Cristianity and liberalisn (1923);  chamava isso de uma nova fé sem credo e sem relação alguma com o cristianismo histórico. Jean M. Shmidt com sua obra -Souls or the social order (As almas ou a ordem social, 1891)  quando expõe habilmente a “bifurcação entre o liberalismo e o evangelismo que se tornou evidente antes da Primeira Guerra mundial.
Ciclos de neo-ortodoxia (entre 1930 e 1960) e teologia radical (de 1960 à década de 1980) sucederam o liberalismo e se opuseram aos evangélicos. Durante as décadas de 1960 a 1980 ela foi substituída pelas teologias radicais humanistas, relativistas e secularistas, tais com a teologia da morte de Deus, a teologia secular de Cox e Robinson, teologia de fundo marxista, como a da Esperança, de Moltmann, e a da libertação radical, e as teologias negras e feministas.  A salvação sociológica por meio de pessoas no tempo, no lugar daquela pelo Deus Eterno através de Cristo, torna-se a moda.  Segundo Cairns após 1945 os movimentos de ecumenismo entre as Igrejas Históricas e Igrejas Evangélicas a qual aumentaram em numero a partir desse período; esta ação produziu um prejuízo à Teologia sacrificando a sã doutrina a favor de uma união estrutural sob o mais baixo denominador comum (Cairns, p. 485). 
       Repassando então, o cristianismo evangélico enfrentou crescentes ataques na segunda metade de séc. XIX e na primeira parte do Séc. XX.  Foram desafiadas as ideias da natureza universal e permanente do cristianismo, do Deus Absoluto conhecido através da revelação proposicional,  da revelação inerente inspirada pelo Espirito Santo e da validade global da revelação histórica objetiva concernente a Cristo. Elas foram também, mais tarde, negadas em favor de abordagens subjetivas, imanentes e humanistas ao Evangelho.  A natureza da Igreja, a inspiração  e a inerência bíblica, o papel do Espirito Santo na Igreja e a escatologia são as principais figuras nas disputas teológicas contemporâneas (Cairns, 484).
        A origem das espécies (1859) de Darwin colocou de lado a criação especial, e estabelece uma nova opção para a origem das espécies diferente da concepção religiosa cristã.  A filosofia idealista alemã de Kant, Hegel e Schleiermacker também se constituíram num problema. Ao fundamentar a religião na natureza moral inata do homem, que segundo Kant,  mostra ao homem o que deve fazer.  A imoralidade e a alma são necessárias para recompensar os atos bons e castigar os atos maus do homem. Sua perspectiva da religião como transcendente e da Bíblica como meramente histórica apoiou a Critica Bíblica.  No campo da Critica Bíblica Welhausen surge com trouxe novas interpretações do Pentateuco, do Livro de Isaías e Daniel. Para ele Cristo morreu a morte dos mártires e é somente necessário seguir seu exemplo para ser salvo. Estes ensinos foram introduzidos  nos bancos das Igrejas pelo laicado leigo. Por volta de 1880, o liberalismo teológico já havia tomando conta e se opunha à ortodoxia da teologia Reformada.  Os evangélicos se levantaram contra e os Hodge (pai e filho) e Benjamin Warfild (l851-1923) se opuseram  no final de séc. XIX.  J. Greshan Machem defendeu a inerência da Bíblica nos seus originais. O pré-milenismo é defendido no seminário de Plymouth de defendido em institutos bíblicos e por homens como D.L. Moody e R.A. Torrey.  A evolução foi fortemente condenada por W.B. Rilley e Willian Jemnings Bryan (Cairn, p. 503).  No inicio do sec. XX com o patrocínio dos homens rico do petróleo de Lyman depois da pregação de A.C. Dixon (1909) publicaram a obra The Fundamentals (Os fundamentos) com 12 volumes com artigos de diversos autores evangélicos de ambos os lados do Atlântico como Amzi C. Dixon (1854-1925) foi o editor, e James Orr, B.B. Warfield, M.G. Kyle, R.A. Torrey, C.L. Scofield e muitos outros eruditos evangélicos contribuíram com artigos, os quais ajudaram disseminar as ideias evangélicas.  Entre 1910 a 1915 os volumes foram produzidos e cercam 300 mil exemplares de cada volume foram enviados gratuitamente para professores e estudantes de seminários, pastores e secretários da YMCA (Associação de Moços Cristãos) nos EUA, Canadá e Grã-Bretanha (Cairns, p.505).
Entre 1910 e 1929 o conflito se tornou mais intenso entre as duas forças. Os wesleyanos, como grupo de Santidade se opuseram ao Liberalismo (Cairns, p. 503).   Apesar dos esforços dos evangélicos o liberalismo entre 1929 e 1945 venceu a disputas nas Igrejas históricas. Os evangélicos ou saíram voluntariamente ou eram forçados por forças de julgamentos eclesiásticas, com isto surgem novas denominações, institutos e seminários (Cairns, p.505). 

CONSIDERAÇÕES FINAIS.
        Assim concluímos que o liberalismo  surgiu  nas universidade alemãs e das ilhas britânicas no final do séc. XVIII e ganhou força em 1865 e 1880, provocada pelo "avanço" da ciência, a qual formulou novas teorias a respeito da origem da natureza (o darwinismo) e pelo pensamento filosófico a respeito do homem como ser religioso e seu destino eterno.  
         Chegou na América do Norte por meio dos estudantes que cursavam naquelas universidades e se espalhou pela América. No inicio do séc. XIX teve como opositor à Teologia Liberal Karl Barth coma a sua obra Epístolas aos Romanos. Seguiu-se por todo séc. XX fazendo surgir novas sub-teologias (da Libertação, Feminista, etc). 
O Movimento de Santidade (Holiness Movement), idealizado por John Wesley ganhou força no final do séc. XIX na América do Norte e se opôs  ao pensamento liberal teologico que tomava conta das igreja americana. O holiness foram potencializado pelo Movimento Pentecostal que surgiu na Rua Azuza com William Joseph Seymour (1870-1922) em 1907 incendiando a America do Norte e em muitos lugares do mundo. O pentecostalismo, ao meu ver, veio para fazer frente à Teologia Liberal  suas sub-teologias e em defesa das doutrinas Bíblicas que levam a salvação e liberta a pessoa.   

FONTE DE PESQUISA.
CAIRNS,  Earle E.  O cristianismo através dos séculos (trad. Israel Belo de Azevedo, Valdemar Kroker). 3ª. Ed.   São Paulo: Vida Nova. 2008.

04/02/2019

OS NOMES DE DEUS - A ORIGEM DO NOME: JEOVÁ.


  O resumo a seguir é parte de uma obra maior (O Tabernáculo) que encontra-se disponível para aquisição através do email: comasuapalavra@gmail.com

O NOMES DE DEUS - A ORIGEM DO NOME JEOVÁ


        Introdução.
       A finalidade deste artigo não é causar polêmica, mas informar todos aqueles que desejam tem uma posição correta diante de Deus.  Inclusive no que tange a forma de tratá-Lo e se dirigir ao Senhor. Penso que ninguém gostaria de ser chamado por um nome que não é o seu, ou pelo apelido. 
      No inicio da Era Cristã não era assim. o Termo Jeová teve um começo na historia. A igreja primitiva não se dirigia a Deus usando Jeová.  Jesus era o nome frequentemente usado e pregado.  O Novo Testamento, por conseguinte, os apóstolos,  NUNCA se dirigiram ou se referiram a Deus usando esse nome. Jerônimo (347-420 dC) usou  o termo 'Dominus' (Senhor) para traduzir Yhawéh em sua tradução para o latim (Vulgata).  
O FATO É que os tradutores começaram a usar o termo JEOVÁ aos poucos e se tornou tradicionalmente usado  e convencionou se dirigir a Deus pelo nome Jeová ou citar esse nome nas pregações e reuniões, muitas vezes de forma exagerada e banal como sendo o nome expresso por Israel antigo e pelos judeus. 
A partir do séc. XVI começou a ser introduzido nas traduções do NT das línguas europeias, inicialmente  nas traduções inglesas como KJA (essa em raras passagens) e na tradução inglesa de Willian Tyndele (1494-1536) fez uso da palavra LORD (Senhor) para o tetragrama YHWH e somente em Ex. 6:3 fez uso do nome Jeová (lembrando que traduziu para o inglês a partir da versão latina).  

"Algumas traduções amplamente usadas que incluem o nome (Jeová) são a tradução Valera (espanhol, publicada em 1602), a versão Almeida original (português, publicada em 1681), a tradução Elberfelder original (alemão, publicada em 1871), bem como a American Standard Version (inglês, publicada em 1901). Algumas traduções, destacadamente A Bíblia de Jerusalém, também usam consistentemente o nome de Deus, mas na forma Iahweh. A Tradução Brasileira (1917) usa a forma “Jehovah”, e a tradução do Centro Bíblico Católico usa “Javé” para o nome divino".
  

O perigo do uso exagerado do termo.

Muitas traduções que anteriormente usavam o nome Jeová e suas revisões deixaram de fazer uso do termo e outros conservaram e cada uma apresentaram os seus argumento.  O fato é que atualmente o uso exagerado de Jeová fez surgir heresias, aplicações errôneas das Escrituras e jargões. Por exemplo: "Manda fogo Jeová; queima Jeová. O meu Jeová. E se generalizou nas pregações e musicas gospel.   
Nota-se através de pesquisas é que há certas ressalvas quanto ao uso do termo por algumas traduções e exagero por outros. O nome é muito mais usado no meio pentecostal do que tradicional como se verifica nesta declaração: 

A tradução católica do Pontifício Instituto Bíblico, de Roma, (1967), nos seus comentários introdutórios sobre o Pentateuco, diz: “Para exprimir a ideia de Deus, a língua hebraica dispõe de muitos termos. O mais frequente (1.440 vezes no Pentateuco, mais de 6.800 em toda a Bíblia) é ‘Javé’ (ou ‘Jeová’, segundo uma pseudopronúncia introduzida entre os séculos XVI e XIX), nome próprio, pessoal. . . . ."
ou seja, cada lado se justifica a sua maneira de entender o caso. 

O principal argumento dos Testemunha de Jeová para o uso do nome Jeová em suas traduções é: 

"A verdade é que muitos tradutores não acharam que o nome, com a sua pronúncia moderna, não tivesse lugar na Bíblia. Eles o incluíram em suas traduções, e o resultado sempre tem sido uma tradução que dá mais honra ao Autor da Bíblia e segue mais fielmente o texto original". 

Essa parece ser a opinião da maioria que defende o uso do nome.  

Cabe informar que a tradução mais antiga do AT para o grego, a Septuaguinta (LXX) realizada por escribas judeus nos séc II a.C. usaram para 'Elohim', a palavra Theós; e para Yahwéh (Kyrios) como assim sugere o NT.
[...]

 Os nomes de Deus.

3.1      O Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó.  

Moisés (Ex. 3) queria saber o nome de Deus, pois até então Deus não tinha revelado seu nome a ninguém, e a resposta foi:

14E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. 15E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviaram a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração (3:14: 15).

Neste texto encontramos três nomes designados a Deus.

Elohim – (אֱלֹהִים) ‘E disse Deus a Moisés’ (v.14).

Ha-yah – (אֶֽהְיֶ֖ה) ‘Eu Sou me enviou a vós’ (v.14).

Elohim – (אֱלֹהִים) ‘E Deus disse a Moisés’ (v.15).

Yahweh – (יְהוָ֞ה) ‘O Senhor’ (v.15)  

El-ohê – (אֱלֹהֵ֣י)     ‘o Deus de vossos pais’ (v.15)    

Ha-yah asher Ha-yah – (אֶֽהְיֶ֖ה אֲשֶׁר אֶֽהְיֶ֖ה) ‘Eu Sou o que Sou’ (v.14).

O nome ‘Eu sou o que Sou’, segundo Barker (p.98) esse é o nome pelo qual Deus queria ser chamado e adorado em Israel – nome que revelava seu caráter como Deus confiável e fiel, desejoso da plena confiança de seu povo (v.14); o mesmo nome ‘Eu estarei com você’ (v.12).  EU SOU (hebr.. אֶֽהְיֶ֑ה - ’eh-yeh) é uma forma abreviada do nome que Jesus aplicou a si; ao fazê-lo declarou ser igual a Deus (Jo. 8:58, 59).  

3.2          Os nomes El e Elohim.

         Existem duas palavras no AT traduzidas por Deus ‘EL’ e ‘Elohim’. El é um termo genérico para designar qualquer ‘deus’, inclusive os deuses pagãos. Esta palavra aparece em abundancia no AT. Também usada em substituição à palavra Elohim nos nomes compostos, por exemplo: El shaddai (Deus todo poderoso - Gn. 17:1); El Elyon (Deus Altíssimo- Gn. 14:18); El Roi (Deus que enxerga – Gn. 16:13) El Olan (Deus Eterno – Gn. 21:33).

         O nome  ‘Elohim’ (אֱלֹהִ֜ים) é nome próprio, plural, traduzido ao pé da letra seria ‘deuses’. Aparece em Gn. 1.1: ‘No principio criou Deus o céu e a terra’.   

         O nome EL é forma singular de ‘’O Deus de’ Abraão (’ĕ-lō-hê - אֱלֹהֵ֣י), traduzida também por ‘Deus’. É muito curioso! Parece que a Escritura ao se referir a Deus no sentido geral usa o nome ‘elohim’ (deuses),  mas ao se referir a um Deus pessoal usa o nome ‘EL’.  Vemos nesse texto das Escrituras (Ex.3:14,15) a trindade presente no mome Elohim e em Deus de Abraão (Deus – Pai), pois Abraão é visto como o pais ne nações e aquele que deixou herança para Isaac; o Deus de Isaac (Deus-Filho), único herdeiro, filho da promessa, oferecido no altar; o Deus de Jacó (Deus-Espirito Santo), Jacó passou por um processo de transformação, pois era usurpador e trapaceiro e o Espirito Santo trabalhou na sua vida até transforma-lo. Em cada um cabe acrescentar os testemunhos que estavam depositado na arca: a Lei (Pai), o Maná (Filho) e a Vara florida (Espirito). ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó’ fala dos ministério de Deus que atuam em nossa vida para conduzir ao céu. 

3.3                      O nome Senhor

O nome ‘Senhor’ (v.15) no original é Yah-weh (יְהוָה). Sua forma simplificada é ‘Yah’ (יָהּ): ‘Sou’. Foi este nome que Jesus aplicou a si.  Os nomes ‘Iavé’, ‘Yahweh’ ou ‘Yehováh’ (traduzido por Jeová) tem o sentido de ‘Ele é’ ou ‘Ele será’ (v. 14) e ‘Eu estarei’ (v.12). Pearlman (p.59) afirma que “o nome Jeová tem sua origem no verbo ‘ser’, abrangendo os três tempos desse verbo – passado, presente e futuro. O Nome, portanto, significa: Ele é o que era e o que há de ser, em outras palavras, O Eterno”. Quando Deus fala de si mesmo diz: Eu sou; é quando nos falamos a respeito de Dele fica: ‘Ele é’. Ele é’ um só: ‘Há um só Senhor (...) um só Deus e Pai de todos’ (Ef 4:4), mas quando nós olhamos para Deus, então vemos o ‘Deus de Abraão, O Deus de Isaac e o Deus de Jacó’, ou seja, Pai, Filho e Espirito Santo:. 19Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt. 28:19). Perlman acrescenta que “Visto que Jeová é o Deus que se revela a si mesmo aos homens, o nome significa: “Me manifestei, me manifesto e ainda me manifestarei”. 

3.4                      O nome Adonai

         O Nome ‘Yahweh’ era muito sagrado para os Judeus. Eles não ousavam pronunciar (Ex. 20:7) e por não pronunciarem por muito tempo sua expressão vocálica se perdeu no tempo. Não liam mais este nome nas Escrituras, substituindo-o por ‘Adonai’ (אדני). Expressão, esta que tem vários sentidos: ‘firme, forte, senhor, mestre, rei, soberano’, etc., (Strong – 0113).  Na versão grega do Antigo Testamento (LXX) a palavras ‘Elohim’ e ‘Yahweh’ equivale a ‘Theós’ (Deus) e a palavra ‘Adonai’ a ‘Senhor’ do grego ‘Κύριος (Kyrios).  Ambos os títulos também aplicados a Jesus Cristo.  

3.5                      O nome Jeová

         “A pronúncia de ‘Jeová’ era desconhecida até 1520, quando foi introduzida por Galatinus; mas foi contestada por Le Mercier, J. Drusius e L. Capellus, em contraste com a propriedade gramatical e histórica”.  Segundo Dr. Mock (p.54) ela foi criada a partir de dois nomes de Deus em hebraico: Yahweh e Adonai. Conforme explica R.N.Champlin (ph. D.) “Jeová é uma variação ‘mom senes’ (sem sentido) do nome Yahweh”. Surgiu depois que foram introduzidas letras vogais no texto original hebraico pelos Massoretas já no séc. VII D.C. As letras vogais do nome ‘aDoNaY’ (Senhor) foram intercaladas com as consoantes do tetragrama YHWH (Eu sou) produzindo assim o nome artificial Jeová” (vol.3, p.447).

         A palavra #Jeová# é grafia que proveio da combinação entre as consoantes de YHWH e as vogais da palavra ‘Adonai’ por considerar aquele nome sagrado demais” (Dt. 28:58) (BERKER, p.306-NVI). 

    Quando a Bíblia foi traduzida para outras línguas, o Tetragrama hebraico YHWH foi transliterado como "Jeová" devido haver versões do AT, o qual adotado os sons vocálicos de Adonai propostos pelos massoretas. A "American Standard Version" (conhecida pela sigla "ASV") uma das versões em inglês que mais se popularizou sobremaneira o uso do nome "Jeová". Na língua portuguesa, a maioria das traduções verteu o Tetragrama por "SENHOR" (com letras maiúsculas) ou para Jeová e Javé.  As primeiras versões Almeida Revista e Corrigidas (SSB), a TB (Tradução Brasileira, no inicio do século XX, versão que não se popularizou no Brasil) e Tradução do Novo Mundo (usado pelas Testemunhas de Jeová) fazem uso do termo Jeová; enquanto que a Bíblica Pastoral (católica) usa o termo Javé. As exceções ficam por conta da Bíblia Linguagem de Hoje (1988) que usou o termo o Eterno. O qual não se popularizou e causa de muitas criticas pela comunidade evangélica tendo que acompanhar o termo mais tradicional,  SENHOR.  A Bíblia de Jerusalém faz uso do termo Iahweh.

Os nomes de  Deus -  O nome JESUS  

Nas Escrituras, os nomes em hebraico e grego, revelam a natureza que há no Filho e pelos nomes atribuídos a Cristo; em parte sua posição oficial e em parte sua posição na obra da redenção do mundo.  “Cristo foi anunciado pelos profetas e esperado pelo povo de Israel para sua redenção: o centro das Escrituras (Lc. 24:44-47), a alegria dos homens, o desejado das nações (Ag. 4:7), a nossa glória e esperança” (BETESDA, p.19).

a)    O nome JESUS (Ιησους - Iesous) é a forma grega do nome Josué (יהושוע Y ̂ehowshuwa ̀ ou יהושׂע Y ̂ehowshu ̀a) que significa ‘Yahweh ou Javé é salvação’. Este ultimo nome aparece em Lc.3:29; At.7:45, Hb.4:8. E Josué, filho de Num, o grande general e ancestral de Cristo quem conduziu Israel à conquista da terra prometida; prefigurando Cristo que conduz o povo de Deus em triunfo. Outro que levou este nome foi Jesus, filho de Jozadaque (Ed. 2:2), levita e sacerdote que deixou o exílio da Babilônia com Zorobabel e Neemias. Tipificando Cristo o Sumo Sacerdote carregando os pecados do seu povo e conduzindo para libertação do cativeiro com destino ao céu.

b)   O nome Cristo (Ξριστος - Christos) equivale ao nome Messias (משיח - mashiyach) do AT. Significa ‘Ungido’ para um cargo. Semelhante aos reis, profetas e sacerdotes do AT que eram ungidos para os oficios (Ex. 29:7; 1 Sm. 9:16; 10:1: 2 Sm.9:16). Os reis eram visto como os ‘ungidos de Yahweh’ – alusão ao rito da unção (1Sm. 24:10). Não somente os reis levavam esse titulo, mas todo aquele que tivessem uma missão específica poderia tê-lo, como é o caso do Rei Ciro que é chamado de “Messias” (Is. 45:1).

         O azeite puro utilizado na unção destes oficiais simbolizava o Espirito Santo (Is. 61:1; Zc. 4:1-6); a unção representava a transferência do Espirito Santo para a pessoa consagrada. O ungido (Messias) pesava sobre si três fundamentos: (1) designação para um ofício específico (Lv. 10:7); (2) estabelecimento de uma relação sagrada entre o ungido e Deus; (3) comunicação do Espirito ao que tomou posse do oficio. Todo judeu acredita que o Messias surgirá e virá para restaurar o reino de Davi (Israel)  ao seu estado de soberania original e reconstruirá o ‘Templo Sagrado’ de Jerusalém (Bet Hamicadash) (ibidem).  O nome ‘Jesus Cristo’ expressa sua missão terrena, sua consagração para a obra da salvação’ diante de Deus e dos homens. Ministério que fez dele Profeta, Sacerdote e Rei (1 Tm. 1:17; 6:16; Jd. 25).  

c)     O nome Senhor e Salvador atribuído a Jesus Cristo. A palavra ‘Senhor’ vem do grego ‘Kýrios’ palavra que os tradutores gregos (LXX) deram em substituição ao nome sagrado ‘Yahweh’ e seu correspondente ‘Adonai’. O tetragrama YHWH (Yahweh) não era pronunciado em seu lugar usavam ha’shem (השם – ‘o nome’) para designar Deus.

O NT não deixa dúvidas que Jesus Cristo é o Senhor e Salvador: Estes NOMES foram concedidos pelos anjos em Belém: “pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc. 2:11).

‘Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo’ nome que devemos invocar como pessoas santificadas (1 Co. 1:2); Dele recebemos Graça e Paz (1:3); esperamos um dia Ele se manifestar (1:8), por isso não devemos nos envergonhar do seu Testemunho e do nosso sofrimento por servi-lo (2 Tm. 1:8).  Nome que deve ser anunciado, cantado e adorado (Hb. 2:12). Nome recebido por conquista concedida por Deus; um nome que está acima de todos os nomes (Ef. 1:20-22) que julgará os vivos e os mortos (2 Tm. 4:1; 1 Pe 4:5).  

d)   Filho do Homem  é uma expressão messiânica abundantemente usada por Jesus nos evangelhos sinóticos (69 vezes) era o único titulo que o ‘Senhor Jesus Cristo’ usava para si mesmo.  Quando fazia usava sempre em conexão com sua missão terrena de redenção e com  sua  obra escatológica.  O sofrimento na cruz e a redenção e sua futura vinda estavam sempre associada o nome Filho do Homem (Mc. 10:45; 8:31).  Em contraste com o sentido original da expressão filho do homem diz respeito à humanidade caída e termo usado por Jesus nos Evangelhos sinóticos. No entanto, João no seu Evangelho exalta sua origem celeste do Filho do Homem: Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do Homem, que está no céu (Jo. 3:13). “Deixa transparecer o homem celestial preexistente e divino que desce do céu, sobre a terra e incorpora à humanidade caída e volta ao céu em glória. João ao usar esse título, quase sempre o faz para acentuar a majestade do Filho do Homem e não para expor a debilidade inerente à sua humanidade (Jo. 12:23ss; 13:31) ou para evocar sua existência eterna e jurídica” (Jo. 5:26, 27) (ibidem, p.20). Assim como o Maná depositado na Arca não apodrecia, diferentemente daquele que os israelitas comiam todos os dias, o Filho do Homem tem vida em si mesmo (v.26).

e)     Filho de Deus no AT era designado a anjos (Sl. 29:1; 89:6); às vezes aos ‘justos do povo de Deus’ (Gn. 6:2; Sl. 73:19, Pv. 14:26) e aos monarcas prometido, especialmente aos da casa de Davi (2 Sm. 7:14). Ser filho de Deus implicava ser homem-Deus e caracterizava uma relação entre o Pai e o Filho. Em relação a Jesus se verifica que sua relação com o Pai era substancialmente diferente de qualquer outro. Desta forma, era chamado de Filho Unigênito.

f) Filho Unigênito:Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer" (Jo. 1:18). Unigênito significa ‘único gerado’. Explicando de forma simples. Gerado por Deus quer dizer: não haverá outro filho gerado como foi Jesus (Lc. 1:34-36). Os ‘nascidos de Deus’ são aqueles que nasceram da fé em Jesus e foram gerados pela Palavra (Jo. 1:13, 14; Tg. 1:18; 1 Pe 1:23).

          Tudo isso nos fala de Cristo como a Palavra, o alimento (Maná) que estava depositado na Arca. Logo o ‘Maná escondido’ é Cristo, a Palavra, que nos gerou para Filhos de Deus.

         João Batista testificou por revelação divina que Jesus era o Filho de Deus (Jo. 1:32-34), Natanael (1:49); Jesus se auto declarava ser o Filho de Deus (3:18; 10:35); os mortos ouviram a voz do Filho de Deus (5:25); deve-se crer no que Ele se diz ser (Jo. 11:27; At.8:37); os judeus o condenaram por que Jesus se dizia ser Filho de Deus (19:7); o Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, é o verdadeiro Deus (1 Jo. 5:20). Foi por meio do Senhor e Salvador Jesus Cristo, o Messias, Filho de Deus, que mundo conheceu o Seu Supremo amor gracioso (Jo. 3:16).


Concluindo.
Desta forma o uso do termo começou a ser difundido a partir do séc. XVI quando a bíblia começou a ser traduzida dos originais para as línguas europeias.  



Extraído da Revista: O Tabernáculo. Autor. José Maria V. Rodrigues.


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